Preciso de uma máquina de costura. De tecido de algodão. Chita? Não preciso de feltro. Preciso de napa. Dacralón. Botão? Feltro?
Preciso de uma máquina de costura rápido.
Pregadeira | Gancho | Broche | Mola | Flor
Fizeram-me uma encomenda, a criação de um adereço para usar com determinado fato, determinada mala, determinado sapato, cabelo, enfim. Precisava-se de uma coisa para por no cabelo. Nem sei como lhe chamar. Após um prazo apertado para tal confecção, a peça gerou-se e foi aplicada no cabelo da minha irmã.
A peça…é cor-de-rosa, dourada, leve e proporcionou-me um conhecimento ainda mais profundo dos estabelecimentos que vendem tecidos na cidade onde moro. Proporcionou-me também o saber de que molas de travessão não são grande coisa, apesar de isso ser remediável com ganchos invisíveis. Para a próxima uso pinças de cabeleireira.
E assim se ressuscita um blog, que realizou pausa reflexiva, adaptativa e maravilhosa.
INSTRUÇÕES:
MATERIAL: tule dourado, organza rosa, (tecido a gosto, basicamente) e uma mola de travessão. Dica: casas de cortinados são uma base de dados óptima de tecidos. Desde que deixem comprar quantidades tais como 5cm de tecido.
(A peça que fiz tem cerca de 12 cm de maior diâmetro)
1 - Cortam-se rectângulos de tecido de aproximadamente 12cmx5cm. Aproximadamente. Não é grave não se ser rigoroso neste tipo de trabalho.
2 - Truncam-se os cantos (vide imagens) e também se fazem identações a meio.
3 - Cosem-se de forma aleatória os tecidos escolhidos. Para coser as primeiras “pétalas” (chamemos-lhe assim) convém dobra-las pelo meio, apertando, formando uma espécie de bouquet. Evidentemente, apenas se cose na parte central, prendendo bem as várias pétalas. A certa altura deixa de ser necessário esse cuidado, de forma a que as últimas já se podem aplicar de forma direita/horizontal.
4 - A quantidade de pétalas define-se pelo gosto pessoal, se se pretende mais ou menos vaporoso, dependendo ainda das características dos próprios tecidos (se armam mais ou menos, o que interfere no volume que causam). Em média, diria que usei à volta de 30 “pétalas”
5 - Por fim aplica-se o que se quiser. Mola de travessão, alfinete, pinça, gancho.. e cose-se.
Feito.

Entre utópico e deprimente diria que me situo algures próximo de optimista resvalando para o sonhador. Chamar-me-ei romântico. Tudo quanto é nefasto advém desta condição que roça o parvinho i.e. convencer-me que posso fazer uma cadeira estudando 2 horas para o exame. Convenço-me que um romântico transporta uma certa dose de ingenuidade necessária para fazer sem pensar. Há quem lhe chame salto de fé - como o do filme do Indiana Jones. O que este pedacinho de terra plantado à beira mar precisa é de - anotem - mais saltos desses.
Precisamente

“Não estou a dizer que tricotar não requer que se pense. Porque requer! Alguns dos padrões são bastante intricados e temos de ser tão boas como as nossas avós eram para os fazer bem. Mas usamos uma parte do cérebro diferente da que usamos quando estamos a trabalhar. Os dedos começam a executar o trabalho e repetimos os passos – há uma grande memória muscular – e as agulhas começam a retinir e sentimos a tensão no cérebro a desvanecer.”
Kate Jacobs
A manif de 12 de Março explicada pelos Monty Python na Vida de Brian (via @omalestafeito)
-
Brian:
No, no. Please, please please listen. I've got one or two things to say.
-
The Crowd:
Tell us! Tell us both of them!
-
Brian:
Look, you've got it all wrong. You don't need to follow me. You don't need to follow anybody! You've got to think for yourselves! You're all individuals!
-
The Crowd:
Yes! We're all individuals!
-
Brian:
You're all different!
-
The Crowd:
Yes! We're all different!
-
Man in crowd:
I'm not...
-
Man in crowd:
Shhh!
-
Brian:
You've all got to work it out for yourselves.
-
The Crowd:
Yes! We've got to work it out for ourselves!
-
Brian:
Exactly!
-
The Crowd:
Tell us more!
-
Brian:
No! That's the point! Don't let anyone tell you what to do! Otherwise - Ow! Ow!
«Um homem a sério não usa um ‘snoods’»
http://sol.sapo.pt/inicio/Desporto/Interior.aspx?content_id=13388
Segundo fontes cientifica e altamente credíveis, a Wikipedia diz que que um snood foi, em tempos, definição de um tipo de chapéu feminino europeu e é, nos tempos modernos, um lenço de pescoço tubular. Alias, snood…não. Pescoceira, que é português. Um homem a sério deve usar um cachecol…à homem, portanto. Um cachecol sem manias geométricas de ser perfeito como um círculo, ou que, tenha singularidades ai ui tais como o segurar os cabelos compridos, aquecendo pavilhões auriculares e face inferior. Até porque cabelos compridos não é de homem.
Não…um homem a sério usa cachecol. Um cachecol… determinado no seu nó, enérgico na forma como permanentemente se liberta e desliza pelo pescoço! Pura personalidade própria.
Deixo a minha sugestão, idealizada para um pequeno homem que aprecia o canal Panda. Com jeitinho servirá os que apreciam Dragon Ball (ouvi dizer que são todos, no geral).
Já agora, pescoceira é absolutamente confortável e quente. Mas eu sou mulher e posso, ha!
Quem ri são os Deolinda

Os canais de televisão esfregam as mãos com vista à anunciada confusão de dia 12 de Março. A palavra facebook ecoa pelas redações , que nem cavalo de tróia, e de repente instala-se um frenezim. Apelidado de “Geração à Rasca” e com início no facebook o movimento “reivindica o direito ao emprego, o fim da precariedade, a melhoria das condições de trabalho e o reconhecimento das qualificações”. Sinto uma força quase incontrolável para proferir escárnio e mal dizer por horas a fio. Facto é que este tema tem em mim um efeito pruriginoso. Reflicto, o emprego é um direito? Que conjunto de acontecimentos terão levado a que esta ideia fosse disseminada pela sociedade. Deduzo que seja consequência de um estado que garante. Que garante a saúde, a educação, um rendimento minimo, um salário mínimo. Vai daí e garante o emprego também. Quando um Miguel de 24 anos, licenciado, vive com a ideia de que um emprego lhe é oferecido no canudo da licenciatura e que, após enviar dezenas ( centenas! ) de currículos para as entidades empregadoras, não obtém resposta ou tem uma resposta negativa, faz aquilo que logicamente qulquer pessoa que tem de sobreviver faria. Vai para o facebook. Estes milhares de jovens incapacitados de produzir teclam enfurecidamente produzindo comentários de altissimo teor irónico. Declamam as suas histórias de vida e entretanto vêm uns videos no youtube. Porquê? “epa porque isto ‘tá mau e o governo não faz nada e os patrões pagam mal e não dão emprego à gente! Eu, que andei a estudar, não tenho trabalho? Fora o governo, abaixo os patrões!”. Vamos falar como adultos.
Não existem eles e nós. Os patrões e coitadinhos. Ninguém nasce patrão, só morre coitadinho quem quer. Devemo-nos continuamente perguntar se nós como patrões nos contrataríamos. É por vezes o derrame das expectactivas associada a uma visão distorcida da valia pessoal, assim como, o desfasamento da oferta e da procura de competências, de aspirações, de oportunidades, que motiva o desemprego. Uma parcela significativa não sabe o que sabe, não sabe o que não sabe. Assume que sabe o que o “mundo do trabalho” pretende de um “jovem” . O que sabe um outro jovem como eu que não é melhor nem pior que nenhum que vai desfilar dia 12 sobre toda esta novela. Se eu fosse resumir numa ideia qual o ingrediente chave para acabar com este celeuma, diria: rasgo, no essencial.
No fundo quem lucra com isto tudo são os Deolinda que vendem mais CD’s.
Um gorro também escreve histórias

Começa com um nascimento em cidade bonita. Eu nasci numa. Vivo noutra, no entanto. Mas sempre se gosta de voltar às origens. Eu gosto. Descubro ainda que a minha cidade-natal bonita contém uma loja altamente apetecível —> esta aqui. Ela é a única representante no Portugal que representa uma marca de lãs que muito estimo, patente no canto da internet onde sempre encontro a melhor inspiração para tricotar —> este aqui.
Entretanto descubro um guia cultural e um dia com chuva miúda. A este panorama irresistível alguém acrescentou ainda uma pitada de agradabilidade graúda. Deixo fluir. Eis que chego à loja, ali como quem vai à universidade, vira para a esquerda, passa a prisão, sobe umas escadas sem saída, bate palmas surdas ao pianista, desce as escadas e procura.. E chego à loja, guiada pelo meu irrepreensível e paciente guia. E que loja. Minúscula de tamanho, enorme em aconchego. Cheia de lã bonita e de cor. E impecavelmente arrumada. Depois chega à parte difícil…escolher. Difícil e morosa, excepto para mim, que sou a pessoa que escolhe e não se importa de ficar a olhar para tanta cor e textura por tempo indeterminado. Pobre guia.. Por fim penso nas agulhas que tenho, penso na cor que quero levar, penso no que quero executar. Não concluo propriamente o que quero fazer, retenho a ideia de que quero fazer algo deste ou daquele género, com a cor tal, conjugada com a peça tal, mas que logo se vê. Mas sinto que quero fazer, isso é certo. Comprei lã..
Chega de palavra… fiz um gorro, um gorro que gosto de chamar de arejado. Aquece, adapta-se (é bastante elástico), não tem costuras. Gosto dele!
(Para os mais interessados, podem espreitá-lo na Etsy : )
INSTRUÇÕES:
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O relógio da igreja bate 4 vezes e o post prometido não promete ser escrito. Esqueço a humildade e assumo que padeço de bloqueio criativo. Escreve-se impulsionado pelo deâmbulo mental que o silêncio e o avançar da hora favorece. Receio cada ponto final, anseio por cada vírgula. Sinto falta da consciência própria que os dedos parecem alcançar quando me sento diante de outro teclado, um teclado sem letras que também escreve histórias.
Grafitti-malha
Faz algum tempo que este tópico aguarda exibição neste espaço. Porquê? Porque é demasiado genial e tremendo e isso torna-o paradoxalmente delicado.
Sucede que a arte urbana por esse mundo fora ganhou contornos super apelativos. Sucede que uma certa série juvenil/adolescentil que mora no canal 4 da nossa grelha televisiva explorou deficientemente o conceito de graffiti. Se o tivesse feito convenientemente talvez conseguisse despertar um mínimo de interesse em muitas progenitoras. Inexoravelmente, seria mesmo mínimo, o que não deixaria de ser um enorme feito.
Knit graffiti | Yarn Bombing | Grafitti-malha (sugiro, não conheço tradução oficial)..
Para perceber o conceito, nada melhor que VER. E melhor ainda, VER e OUVIR. O clímax será, evidentemente, hmm… FAZER.
Passemos aos dois primeiros:

http://en.wikipedia.org/wiki/Knitta
http://www.youtube.com/watch?v=vVvC037SuLQ
Permitam-me não comentar demasiado. Posso estragar a magia.
Jamais, em tempo algum, foi ou será viril qualquer frase que inclua a palavra naperon.

Hão-de me explicar, os responsáveis pelas cenas, qual a razão pela qual os adultos já não têm direito a champô que não arda nos olhos. Imagino a senhora mãe de uma criança pré-adolescente no supermercado à procura de champô: “hum, vou comprar este champô que arde nos olhos porque o meu filho já tem idade suficiente para que os seus olhos sejam cruelmente molestados por todas as substâncias químicas presentes nesta embalagem”. Isto não faz sentido nenhum, mas por alguma razão todos nós deixamos de comprar a simpática embalagem dourada, inóqua do ponto de vista oftalmológico, ah! ponto de vista, oftalmológico, ah. Presumo que o fabricante de outra marca de champô, que não se importa com os olhos dos seus clientes, já tomou conta deste ligeiro avanço competitivo lançando para a televisão, se bem se lembram, aquela campanha publicitária em que presumivelmente os individuos que envolvessem o seu couro cabeludo com o seu champô teriam acesso a um agradabilissimo e bastante audível orgasmo. Não resulta, só com o champô não resulta. No entanto, ressalvo, tenho de parabenizar a publicidade que vem revolucionar as publicidades de champôs, que no geral são bastante horríveis. Adoro momentos de televisão pública a horas nada suspeitas que deixam o ecossistema familiar estranho. Tipo filmes da TVI. Já agora em jeito de nota final, a todos os que dizem “champom”, desejo-vos uma boa dose desse líquido nos olhos quando forem tomar banho.
É viciante, confere

http://www.youtube.com/watch?v=M6ZjMWLqJvM
Deixa… o cabelo cresce. E não culpes o tricot. Culpa a gravidade. [e, aqui entre nós, a psicose]. E afasta-te dos precipícios… E vai tratar-te, por favor.
Pobre moça…perdeu-se! Isto é coisa pior que a droga. Mas é irresistível.. : )
Somos dois, eu e ela.

Creio que os persistentes e os estocásticos leitores deste espaço de desafio cultural e de categoria categórica, deverão já deverão ter reparado na bifacetada personalidade com que este é escrito. Não se trata de um caso de dupla personalidade, temo que a situação em questão seja bem menos interessante. Digo menos interessante porque nada me agradava mais do que ler um blog de alguém que às segundas, quartas e sextas é um tecnólogo, um geek comum e no resto dos dias apresenta traços de um indivíduo com um profundo conflito interno com a sua virilidade, que gosta imenso de tricotar, boinas cor-de-rosa.
Somos dois, eu e ela. Físicamente separam-nos uma centena e tal de kilómetros, no entanto as palavras de cada um têm-se encontrado juntas todos os domingos ou segundas feiras. De quando em vez essa distância diminui para umas poucas milésimas de kilómetro, como foi o caso deste fim de semana, acontecimento que aguardo sempre com entusiasmo.
Piknit

Há dias perfeitos para piqueniques e hoje suspeito ter sido um deles. Digo suspeito porque não pude confirmar essa minha suspeita.. compromissos retiveram-me dentro de uma casa. O sol brilhou incessantemente, o vento não soprou, o céu permaneceu limpo.
Ahhh…depenicar uma sandes (é seguro que contém folha de alface) e pegar em fatias de bolo de iogurte com a mão. Depois voltar ao rissol, abrir a geleira, beber um nesquik, fechar a geleira. Pegar em cartas e jogá-las, ler, ouvir o ipod ou ouvir os pássaros, deitar na relva, enxotar insectos, dormitar ao sol, chegar as duas e fugir às quatro (afinal, ainda decorre o Inverno). Conviver. E sim, claro, tricotar, porque não?
Saudade de um piquenique.
Steve Jobs:
I personally, man, I want to build things. I’m 30. I’m not ready to be an industry pundit. I got three offers to be a professor during this summer, and I told all of the universities that I thought I would be an awful professor. What I’m best at doing is finding a group of talented people and making things with them. I respect the direction that Apple is going in. But for me personally, you know, I want to make things. And if there’s no place for me to make things there, then I’ll do what I did twice before. I’ll make my own place. You know, I did it in the garage when Apple started, and I did it in the metaphorical garage when Mac started.
É esta a minha motivação, fazer coisas. Penso que estou no bom caminho.